O segredo do tempo é consumi-lo sem percebê-lo.
É fingir-se infinito para não o vermos passar
É fazer-se contar em anos em vez de momentos.
Relógio, despertador, cronômetro, calendário
Tudo engodo para imaginarmos prendê-lo, controlá-lo.
Ampulheta, único instrumento sincero do tempo
Regressivamente, nos impõe a gravidade
De haver realmente um único grão
Riscando na areia a nossa fragilidade.
Mas o tempo é imparcial
Não distingue rico do pobre
Preto do branco, homem da mulher
Devora-se sem escolhas.
Matar o tempo é matar-se sem sentido
Perde-lo é viver em vão.
Faz-se devagar nos maus momentos
Depressa quando o queremos.
Ponteiro invísivel da vida
Peça necessária do fim.
A sua fonte é insaciável
A sua vontade determinante
A sua procura é unanime.
Deixa-nos a esperança de Pandora
Nas ações dos que virão
No nascimento do futuro.
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